ACADEMIA POETRIX
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Discurso de Posse de Dreyf Campano na Academia Internacional Poetrix, cadeira 7

Somos todos parte de alguma história, quer seja a nossa própria, quer daquelas que, de alguma maneira, participamos!
 
E com que orgulho agora digo fazer parte da história do Poetrix!
 
Não que minha contribuição tenha sido significante, mas, de qualquer forma, e nos limites da minha capacidade, fui testemunha da criação e partícipe da trajetória e crescimento da expressão literária Poetrix!
 
Quem, como eu, viveu a Internet dos anos 2000 se lembra de alguns hábitos peculiares dos usuários da época. A web era um mundo muito diferente do que temos hoje: o Orkut era a rede social dominante no país, o acesso à rede móvel era quase inexistente, o Twitter surgia com sua incrível limitação de mensagens com até 144 caracteres, o MSN, que não era uma rede social, mas o programa de bate-papo mais usado.
 
Na década passada, os smartphones estavam apenas engatinhando. Câmera frontal no celular? Nem pensar. Em um tempo em que o termo “selfie” sequer existia, a sensação era tirar fotos do próprio reflexo no espelho com aquelas câmeras digitais compactas.
 
Os anos 2000 foram a era de ouro dos blogs. Na chamada "blogosfera", havia páginas com todo tipo de tema. Muitas pessoas, porém, faziam de seus blogs pessoais verdadeiros diários abertos. Contavam ali os dramas e felicidades de suas vidas, recebiam comentários e até faziam amigos. Afinal, fazer um site do gênero e postar conteúdo tinha se tornado finalmente bem simples, acessível a qualquer usuário de Internet.
 
Os fóruns de temas específicos são outra categoria de site popular naquela época, em especial antes do crescimento do Orkut e do Facebook. Lá, as pessoas participavam de debates, trocavam fotos e notícias, faziam jogos e brincadeiras e até formavam novas amizades.
 
Antes do 3G e do WhatsApp, a troca de mensagens por celular ficava restrita ao SMS. As taxas de envio, no entanto, não eram muito baratas. Não dava para ter uma conversa fluida e completa sem se preocupar com a conta ou com os créditos. Pensando nisso, alguns sites ofereciam serviços de envio gratuito de SMS pelo computador. Os usuários adoravam e aproveitavam para mandar mensagens à vontade.
 
E foi nessa realidade mutante que o poeta baiano Goulart Gomes ousou criar a expressão literária Poetrix, uma poesia própria do mudo digital, mas que ainda se embalava nas páginas concretas dos livros de papel.
 
E foi navegando pela internet da época que descobri, em um grupo do Yahoo, um “bando de loucos” criando e praticando o “tal” do Poetrix!
 
Com encanto imediato! Pedi e tive meu ingresso permitido.
 
Nascia ali uma paixão e ligação eternas. Eu e o Poetrix! Os poetrixtas e eu!
 
Naquele ano de 2000, este Paulistano, já então com 47 anos, começa a desfrutar da arte de poetrixtas inesquecíveis. Além de Goulart Gomes, convivi, li e interagi com poetas do quilate de Aila Magalhães, Lilian Maial, Pedro Cardoso, Tê Soares, Marilda Confortin, Tuca Kors, Judith de Souza, Sonia Godoy, Beto Quelhas, Lorenzo Ferrari, Marcelo Marques, Jussara Midlej, Eliana Mora, Katlheen Lessa, Angela Bretas, Anthero Monteiro, Martinho Branco, Hercio Afonso... e tantos e tantos outros contemporâneos que tomariam linhas e linhas para serem mencionados.
 
Extraordinário para a época, naquele grupo trocávamos milhares de mensagens diárias, por vezes madrugada adentro, compondo Poetrix, escolhendo os melhores do mês, promovendo cirandas, fazendo berlindas, aplicando de oficinas, criando duplix, triplix, grafitrix...
 
Nestes tempos, tive o privilégio de ser um dos administradores e mediador desse grupo, além de promotor, incentivador e animador das interações e atividades que por lá havia.
 
Não tenho dúvida alguma ao afirmar que foi essa capacidade grupal de interação despojada de egoísmo que alavancou a caminhada do Poetrix.
 
Fosse Goulart Gomes, fosse este Déa Villanella, todos agiam e interagiam despreocupados com seus egos, buscando a melhor prática, interação poética, concepção e aperfeiçoamento do Poetrix!
 
Prova disto é que, passados quase 21 anos daqueles tempos, conheço pessoalmente apenas Tê Soares, Marilda Confortin, Judith Souza, Marcelo Marques e Lorenzo Ferrari. O que, no entanto, não faz qualquer diferença na qualidade das relações e interações que até hoje mantenho com os Poetrixtas.
 
Sou eternamente grato a todos! Gratidão especial ao Goulart Gomes, que além de me permitir uma participação e interação com absoluta igualdade de tratamento em todos os sentidos, me presenteia agora com o convite para tomar assento na Cadeira de número 7 da Academia Internacional Poetrix – AIP!
 
Como patrono desse assento, busquei a importância  e representatividade de Yosa Boson, um dos grandes mestres do haiku.
 
Ele nasceu em 1716 na vila de Kema (hoje incorporada à cidade de Osaca) e faleceu em 1783, em Kyoto, a capital nacional naquela época. Já antes de fazer 20 anos, mudou-se para Edo e lá dedicou-se aos estudos artísticos.
 
Juntamente com Matsuo Bashō e Kobayashi Issa, é considerado o melhor representante do Período Edo, o principal poeta do segundo período clássico do haiku. Seu trabalho inclui também a pintura, na qual destacou-se também na haiga (o desenho do haikai) que é, como já diz o nome, a ilustração desse tipo de poema e foi criada pelo próprio Buson.
 
É justamente na haiga de Boson que me inspiro para produzir Grafitrix, a forma de construção do Poetrix com a qual melhor e mais me identifico.
 
Sempre com o Poetrix, escrevi e-book, participei de algumas coletâneas e fui premiado em concursos nacionais e internacionais, além de participar de alguns grupos virtuais de poesia, como, por exemplo, o por mim fundado Clube de Autores Poetrixtas.
 
Tudo farei para merecer a honraria com que fui brindado, como tudo farei também para continuar a contribuir efetivamente com o Poetrix!

 
Academia Poetrix e Dreyf Campano
Enviado por Academia Poetrix em 27/07/2020
Alterado em 27/07/2020
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