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Discurso de posse de Ricardo Mainieri na AIP - Academia Internacional Poetrix, Cadeira 20

Boa tarde meus confrades, poetas e público em geral. Chegou a hora justa e exata de contar a minha história. Sem mais delongas, vamos a ela.

Era o ano de 1960, período de ascensão da bossa-nova, do governo relâmpago de Jânio Quadros, do ápice da Guerra Fria, do surgimento da pílula anticoncepcional. Dos primeiros ecos revolucionários.

Nasci na cidade de Porto Alegre, em 13 de setembro de 1960, filho de um comerciário e ex-músico e de uma dona de casa.

Porto Alegre era uma urbe provinciana, com praias de mar distantes e defasagem cultural em relação ao eixo Rio-São Paulo. Como dizia Caio Fernando Abreu: uma cidade-carroça.

Vim ao mundo numa família remediada. Dois irmãos consanguíneos e outro por parte de pai.

Com cerca de cinco anos, mudei-me para uma casa própria na Rua Barbedo, Bairro Menino Deus.

Cursei as séries iniciais no colégio estadual Presidente Roosevelt, no mesmo bairro.

Na minha primeira infância, criava estórias. Na falta de melhor material, utilizei os vizinhos como personagens.

É desta época, o personagem Inocêncio, que era conhecido na comunidade por ser traído pela mulher. Outras criações eram a Capincha, mulher paupérrima, de cabelos enrolados e um tanto sujos e o Japonês da Kombi, dono de uma floricultura. Precocidades literárias.

Em 1970, enquanto o Brasil vencia a Copa do Mundo, no México, perco, precocemente, meu pai. Um golpe muito duro que iria se refletir para sempre em minha vida e na obra, também.

Em 1972 entrei no antigo ginásio. Colégio Infante Dom Henrique, em Porto Alegre. Tempo duro da repressão militar. Governo Médici.

Depois veio o colegial. Lembro-me de ter feito um teste vocacional, onde apareceu, de forma explícita, a inclinação para as Artes. Lembro que, na época, fiquei um tanto decepcionado. Adolescente remediado, eu mirava uma profissão onde poderia progredir financeiramente.

Em 1977, época do fatídico “Pacote de Abril”, fiz vestibular para Jornalismo e Psicologia. Não passei por detalhes. No ano seguinte, um tempo de cursinho e novo vestibular para a PUC-RS e logrei êxito.
Ingressei no curso de Publicidade e Propaganda, em meio a um clima de intensa discussão intelectual e política.

Lembro que, na Faculdade, assisti diversos palestrantes de renome, entre eles o dramaturgo Plínio Marcos. Conheci os livros de Roland Barthes, Eduardo Galeano, George Orwell e autores contemporâneos de expressão. Entrei na política estudantil, através da chapa vencedora do Diretório de Estudantes. Formei-me em 1983, quando a sociedade organizada pedia “Diretas Já”, no Brasil.

Nesta época escrevi contos de viés sociais, passando, posteriormente, para a poesia de protesto e existencial.

Em 1985, já no retorno da democracia brasileira, conquistei minha primeira publicação, num concurso da Petrobrás. Os jurados eram Moacyr Scliar, Ignácio Loyola de Brande e Alcy Cheuiche. Fui editado numa coletânea em que, entre outros autores, despontava o nome de Lau Siqueira.

Em 1990, um pouco depois da queda do Muro de Berlim, fui selecionado pelo Instituto Estadual do Livro – RS, para publicar a obra, em poesia, “A travessia dos espelhos", da Coleção 90. Foi uma etapa especial de minha vida.

No restante da década, preferi um investimento profissional, na carreira de funcionário público, pouco publicando ou escrevendo.

Os anos 2000 entraram com nova perspectiva. E não era somente a chegada da “Era de Aquário”. Conheci a Internet. E, logo, comecei a levar a poesia para as listas, web-grupos e publicações em sites de interação social.

Em 2003, enquanto o governo Bush lançava mísseis contra o Iraque, conheci o grupo MIP. Foram anos seguidos de publicações diárias, trocas literárias e orgulho de encontrar a minha turma.

Publiquei, também, por estes ano, alguma poesia em suportes inusitados como vidraças de coletivos e sacos de pão. Pois como dizia o compositor Milton Nascimento: “todo o artista/tem de ir/onde o povo está.”.

Em 2007, comecei a colaborar com a Editora da Tribo e, por longos anos, até 2019, publiquei alguns de meus poemas breves em agendas fartamente ilustradas, na companhia de excelentes poetas brasileiros.

Paralelamente, estes últimos anos foram de muitos concursos, publicações, antologias, de editores diversos.

Atualmente, tenho dois livros em vias de serem editados. Um deles na Editora Patuá, de São Paulo, de nome “Emoções em trânsito” e outro nas Edições Caravana, de Belo Horizonte, de nome “Mínimo animal poeta”.

Meu patrono é o poeta alternativo dos anos setenta, o carioca Ricardo Chacal, alvo de uma próxima conversa. 

Evoé!
Ricardo Mainieri
Enviado por Academia Poetrix em 08/04/2021
Alterado em 15/04/2021
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